Panorama economico local: inadimplência em São Caetano cresce 15% e o Poder Público não ajuda
Dados de novembro de 2025 revelam que o setor bancário concentra quase 70% das dívidas, penalizando principalmente a faixa etária de 50 a 64 anos.
O cenário de crédito em São Caetano do Sul apresentou mudanças significativas no último mês de novembro de 2025. Segundo o mais recente levantamento realizado pela CDL São Caetano e o SPC Brasil, o número de dívidas em atraso na cidade registrou um crescimento de 15,20% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O dado supera a média nacional (14,81%) e regional (14,48%), exigindo cautela e estratégia por parte do comércio local.
Mais do que o aumento absoluto, a composição dessa inadimplência revela um fenômeno econômico importante: a pressão dos juros e a facilidade do crédito financeiro.
Ao analisar o perfil da dívida (Gráfico 11), observa-se uma concentração expressiva no setor financeiro. O segmento de Bancos representa 69,60% de todas as dívidas em atraso na cidade. Em comparação, o setor de Comércio responde por uma fatia significativamente menor.
Isso indica uma mudança no comportamento do consumidor. A facilidade de acesso ao crédito via aplicativos e cartões, somada a um cenário de taxas de juros elevadas, criou um “efeito bola de neve”. O consumidor não está deixando de pagar a loja por falta de vontade, mas está com o orçamento estrangulado pelo serviço da dívida bancária (cartão de crédito, cheque especial e empréstimos).
Outro dado que desmistifica o senso comum é a faixa etária dos inadimplentes. A maior concentração de devedores em São Caetano do Sul (25,94%) está entre pessoas de 50 a 64 anos.
Este indicador sugere que a inadimplência está atingindo os chefes de família — muitas vezes responsáveis pelo sustento de filhos jovens adultos e, simultaneamente, pelo cuidado com pais idosos. O comprometimento da renda dessa faixa etária impacta diretamente o consumo das famílias, uma vez que são estes os principais decisores de compra.
A dívida média do consumidor negativado na cidade atingiu o patamar de R$ 6.785,10. Embora 28,30% das dívidas sejam de valores baixos (até R$ 500,00), uma parcela preocupante de 25% dos devedores acumula passivos superiores a R$ 7.500,00.
Além disso, o tempo médio de atraso é de 26,1 meses. Isso mostra que o lojista está lidando com um consumidor que carrega pendências antigas, provavelmente herdadas de instabilidades econômicas dos últimos dois anos.
Para o empresário de São Caetano do Sul, a leitura destes dados é fundamental para o planejamento de 2026:
* Análise de Crédito Rigorosa: Com o orçamento das famílias comprometido pelos bancos, a concessão de crediário próprio exige consultas detalhadas.
* Campanhas de Recuperação: O consumidor quer pagar, mas precisa de condições que caibam no bolso. A renegociação amigável é a melhor via.
* Foco no Atendimento: Entender que o cliente de 50+ é o mais afetado permite criar estratégias de vendas e parcelamentos mais adequados a essa realidade.
A entidade segue monitorando os indicadores para manter o empresariado informado e preparado para os desafios do mercado.
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